• E-SOCIAL AGONIZANTE:
Acredito que sejam poucos os empresários que não tenham sido alertados enfaticamente por suas contabilidades e/ou consultorias em medicina do trabalho acerca da necessidade de prepararem-se para as exigências de um tal de e-Social, nova plataforma de dados que o Governo Federal estaria implantando com o objetivo de unificar informações tributárias, previdenciárias e de saúde do trabalhador, com vistas ao controle e fiscalização eletrônicos das empresas nele cadastradas. Sem formular juízo de valor quanto aos méritos e defeitos do e-Social, não tenho qualquer dúvida com relação ao mais completo estelionato oficial imposto pela União ao mobilizar milhares de pessoas para investirem tempo e dinheiro para adaptarem-se a um contexto de prazos e rotinas que, de uma hora para outra, tornaram-se praticamente inúteis. Muitos empresários perderam bastante dinheiro e precioso tempo investindo em onerosos e complexos sistemas e treinamentos, além de submeterem suas equipes a muito stress com as constantes alterações nos parâmetros exigidos. A cada mudança de governo, ficamos à mercê de desmanches e desmandos que comprometem nossas vidas e o exercício de nossas profissões. E isso independe de ideologia ou orientação política. Sou totalmente contra o corporativismo em detrimento da maioria, mas a irresponsabilidade governamental extrapolou os aspectos estritamente jurídicos para transformar-se em insegurança social de todo um segmento profissional, composto pelos profissionais voltados à saúde e segurança dos trabalhadores. O ocaso do e-Social, o futuro do seu provável sucessor e o destino das Normas Regulamentadoras (NRs), após suas reformas ou extinções pontuais, determinarão o rumo de muitas carreiras. E isso parece estar sendo tratado sem o mínimo de diálogo e consideração. Não acredito que a especialidade Medicina do Trabalho irá se extinguir mas, muito provavelmente, haverá um súbito e relevante encolhimento do mercado. Isso provavelmente valerá também para a Medicina do Tráfego, com a divulgação da futura extinção da obrigatoriedade dos exames médicos em clínicas credenciadas. Penso que estamos no epílogo desta novela mexicana de mau gosto, indignante, cruel e, sobretudo, injusta para com a sociedade brasileira. Minha grande dúvida é se sobreviverão os mais éticos, que assumem os maiores custos inerentes à boa prática profissional, ou os mal intencionados, que exercem concorrência predatória, prestando serviços reconhecidamente inadequados.

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