Blog
- Home
- Blog

Pseudo-especialidades Médicas
Segundo o Dr. Simônides Bacelar, estudioso de terminologias médicas, a denominação “Subespecialidade Médica” deveria ser evitada. Subespecialidade aparenta indicar que o profissional é de categoria inferior e dedicado a uma especialização insuficiente. Se há mais dedicação ou dedicação exclusiva, tal atividade exigiu uma superdedicação e, por via de consequência, há superespecialização ou superespecialidade. Atualmente, as Residências Médicas tem duração entre 3 e 5 anos, sendo que a superespecialização em determinada área de atuação pode durar de 2 a 5 anos, habitualmente sem remuneração ou até mesmo sendo paga pelo médico, em alguns serviços mais renomados.
Atualmente, temos 55 especialidades e 59 áreas de atuação aprovadas pela Comissão Mista de Especialidades (CME) e homologadas pelo plenário do Conselho Federal de Medicina (CFM), segundo a Resolução nº 2.221/2018 (DOU 24/022028). Não satisfeitos com tamanha gama de opções de qualificação, alguns profissionais insistem em dar publicidade a especialidades legalmente inexistentes podendo, desta forma, estar cometendo falta ética sujeita a sanções por parte dos CRMs.
Fiquem atentos:
- Medicina Integrativa
- Medicina Estética
- Medicina Ortomolecular
- Medicina Quântica
- Medicina Ayurvédica
- Medicina Anti-aging
- Medicina de Precisão
- Medicina Canabinóide
- Medicina Regenerativa ou de Regeneração Molecular
- Medicina da Longevidade Celular
- Medicina Personalizada
- Modulação Hormonal Bioidêntica
- Terapia Alternativa (qualquer uma)
- Terapia Vibracional
- Terapia Regenerativa
- Iridoterapia
- Cromoterapia
- Hipnoterapia
- Além de outras, que a criatividade infinita impede prevermos…
Nada disso é reconhecido, atualmente, tanto no meio acadêmico quanto pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Hipoteticamente, pode até ocorrer, num futuro distante, como sucedeu com a homeopatia e a acupuntura, que tiveram sua eficácia terapêutica comprovada depois de vários anos de avaliação científica. Mas, no momento, é basicamente como acreditar nos signos do zodíaco. Enfim, estamos vivendo a era da desinformação e da desconstrução dos valores tradicionais, alguns deles, a meu ver, atemporais. Ao que tudo indica, teremos, cada vez mais, que lidar com aforismos do tipo “Médico que faz residência (especialização) é porque não se garante no Instagram.”
Ilusões com relação ao real nível de dedicação à profissão, o quanto ela exige abdicação de algumas conveniências pessoais e o declínio dos valores remuneratórios, além do caráter duvidoso, são alguns dos fatores que levam cada vez mais colegas a distorcerem a real função social da profissão. Isso sem contar a drástica e dramática piora no nível de conhecimento de grande parte dos recém formados e suas trágicas consequências para a saúde dos pacientes nos próximos anos. Alertamos que faculdade não tem “recall”!
Dr. Jonas K. Sebastiany / Médico do Trabalho
CREMESC: 8.104 / RQE: 16.992
Diretor-Técnico-Médico da Rede Clínica Consulmed
Site: www.consulmed.med.br