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Regulamentação do uso de Esteiróides Anabolizantes
Recentemente, algumas sociedades de especialidades medicas emitiram nota pública conjunta, endereçada ao presidente do Conselho Federal de Medicina, solicitando a regulamentação do uso de esteróides anabolizantes e similares para fins estéticos e de “performance”, devido ao crescente número de complicações advindas do uso indevido de hormônios. O uso abusivo e/ou sem satisfazer os critérios que justifiquem cientificamente a sua administração, advém de uma divulgação massiva na internet, por parte de leigos e mesmo de médicos, a maioria destes sem a titulação adequada que ateste sua capacidade técnica para gerenciar a prescrição desses fármacos, potencialmente muito perigosos.
A busca pelo corpo perfeito, sem grandes esforços, encontra guarida em profissionais inescrupulosos e exclusivamente mercantis, que dedicam muito mais tempo em dominar as ferramentas de amplificação da visibilidade nas redes sociais do que com capacitação técnica formal. Desconfiem de médicos (ou não) que se intitulam autodidatas, menosprezam a importância de portar RQE (Registro de Qualificação de Especialista) e desmerecem quem segue estritamente as indicações e posologias protocolares. Em geral, adoram “causar” nas ‘lives’, trazendo informações supostamente inéditas e bombásticas, que contrariam grande parte dos preceitos que se seguia até então. Normalmente, perseguem um apelo visual que transmita requinte ou, dependendo do público alvo, que de alguma forma surpreenda o internauta, buscando quebrar o paradigma do estereótipo médico para facilitar a aceitação de terapêuticas nada convencionais. É comum, também, acusarem os médicos mais tradicionais de estarem cooptados pela indústria farmacêutica e, por esta razão, negarem as “robustas evidências empíricas”, defendidas sempre com teses sedutoramente argumentadas.
Lacradores, canceladores, influencers, tudo isso já existia na sociedade muito antes da internet, obviamente com outras denominações. Assim como os picaretas da saúde também não são novidade, apenas agora envelopados na roupagem de pseudo-sumidades instantâneas, que se aventuram em prescrições “off label”, não raramente iatrogênicas, transformando seus pacientes em cobaias humanas, em nome de um vanguardismo que esconde a real intenção de se locupletar com os incautos, obcecados por beleza e jovialidade eternas.
Dr. Jonas K. Sebastiany / Médico do Trabalho
CREMESC: 8.104 / RQE: 16.992
Diretor-Técnico-Médico da Rede Clínica Consulmed
Site: www.consulmed.med.br